Líderes Indígenas e Especialistas Propõem Soluções Integradas para a Gestão Territorial e o Enfrentamento dos Desafios Climáticos Rio Branco, Acre – A gestão territorial da Amazônia e o combate à crise climática foram o epicentro de um debate crucial nesta sexta-feira, 27 de junho de 2025, no Seminário Internacional Txai Amazônia. O painel “Uso da Terra com Sabedoria como Base para a Gestão Territorial de Terras Protegidas e Mitigação às Mudanças Climáticas” reuniu vozes de diferentes saberes para discutir como assegurar que o manejo da terra pelas comunidades tradicionais da Amazônia ocorra de forma equilibrada e estratégica. O Brasil, com sua vasta extensão territorial, riqueza natural e diversidade cultural, é uma potência global em biodiversidade e produção agrícola, respondendo por cerca de 30% da soja e 15% da carne bovina do mundo até 2013. No entanto, esse crescimento acelerado trouxe consigo consequências irreversíveis para ecossistemas e paisagens, exacerbando desafios como a desigualdade social, a pobreza e os conflitos ambientais. As mudanças climáticas, que já causam perturbações generalizadas com o aquecimento global de 1,1°C, representam o maior desafio da humanidade na atualidade. A intensificação de eventos climáticos extremos – secas prolongadas, chuvas volumosas e aumento das temperaturas – afeta diretamente a produção de alimentos e matérias-primas, expondo comunidades vulneráveis e limitando sua capacidade de adaptação. Diante desse cenário, a gestão territorial emerge como uma ferramenta estratégica e multiescalar, capaz de impulsionar a resiliência e o desenvolvimento sustentável. Um Painel Multifacetado em Busca de Soluções Sob a mediação de Eufran Ferreira do Amaral, renomado pesquisador da Embrapa Acre com vasta experiência em Agronomia, Solos e Meio Ambiente – e ex-Secretário de Meio Ambiente do Acre e Chefe Geral da Embrapa Acre –, o debate aprofundou-se em políticas públicas, mecanismos de governança e a vital cooperação entre diversos setores sociais. Amaral ressaltou a importância de pensar a gestão territorial como uma construção coletiva: “Como é que a gente pode pensar em uma cooperação entre governo, setor privado, organizações não governamentais e comunidades locais para fortalecer a gestão territorial, garantindo que, de fato, tenhamos ações eficazes de adaptação e mitigação das mudanças climáticas?”. Ele enfatizou a necessidade de políticas e mecanismos que garantam o uso sábio da terra, equilibrando a conservação e o desenvolvimento socioeconômico. Vozes que edificam o debate O painel contou com a participação de especialistas de peso, que trouxeram perspectivas complementares para o diálogo: Dr. Jefferson Fernandes do Nascimento: Coordenador-Geral de Etnodesenvolvimento da FUNAI e ex-Reitor da Universidade Federal de Roraima (UFRR) – o primeiro reitor indígena da instituição. Com sua experiência em Agronomia e Fitopatologia, Dr. Jefferson destacou o papel fundamental das políticas públicas na preservação ambiental. Daniel Iberê: Indígena do povo M’byá Guarani e Doutor em Antropologia Social pela UnB, Daniel reforçou a importância inestimável de respeitar e integrar os saberes ancestrais dos povos originários. Sua atuação como Coordenador de Projetos na Conservation International (CI-Brasil) e conselheiro estadual de Cultura pelo ConCultura evidencia seu compromisso com a valorização da diversidade cultural e a defesa dos direitos indígenas. Dr. Valdinar Ferreira Melo: Professor Titular da Universidade Federal de Roraima e pesquisador do CNPq, Dr. Valdinar, agraciado com o Prêmio Jabuti por coautoria em “Agricultura Conservacionista no Brasil”, apresentou dados e experiências sobre a conservação e manejo adequado do solo em territórios de floresta e savana. Julie Messias e Silva: Diretora Executiva da Aliança Brasil de Soluções Baseadas na Natureza (NBS) e ex-Secretária da Biodiversidade do MMA. Com sua expertise em políticas públicas ambientais e governança climática, Julie enfatizou que a efetividade da bioeconomia e dos mecanismos climáticos depende intrinsecamente da valorização dos modos de vida locais. O papel transformador dos saberes e da cooperação A imensa diversidade cultural amazônica, indissociável de sua riqueza biológica, foi um ponto central. O debate reiterou que os territórios indígenas não devem ser vistos apenas como estoques de carbono, mas como espaços onde projetos de futuro se desenvolvem, e onde os saberes milenares de povos e populações tradicionais oferecem um conhecimento prático e profundo para a manutenção de um modo de vida específico, orientado para a conservação. Para estruturar uma nova economia e fomentar investimentos sustentáveis, o painel sublinhou a necessidade de estratégias que reduzam o desmatamento, ao mesmo tempo em que aumentam a produção de alimentos e insumos de forma sustentável, promovendo o bem-estar social. Isso implica apostar em inovação, ciência, tecnologia, geração de informação e cooperação, especialmente em modelos sustentáveis de produção florestal e agropecuária. A proposta é desenhar e implementar ações que aumentem o grau de governança e gestão de políticas públicas, controle ambiental e instrumentos econômico-financeiros que acelerem a sustentabilidade dos territórios. Desenvolver um sistema de inteligência territorial integrado, com métricas e parâmetros que permitam aos tomadores de decisão identificar riscos e oportunidades para os diversos usos do solo, é fundamental para atrair investimentos e impulsionar o desempenho econômico e a produtividade, fatores-chave na transformação e desenvolvimento do território. A programação do Txai Amazônia segue no sábado a tarde, a partir das 12 horas, com cinema, mostra artística cultural e gastronômica, além debates qualificados sobre bioeconomia e sociodiversidade.
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Ministro Carlos Parkinson aborda potencial internacional do Acre para a bioeconomia
O painel reuniu especialistas e autoridades para discutir como a cooperação regional e os investimentos em infraestrutura podem impulsionar os mercados sustentáveis na Amazônia O ministro de carreira diplomática do Ministério Relações Exteriores e coordenador nacional dos Corredores Rodoviários do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, subiu ao palco do Txai Amazônia, nesta sexta-feira, 27, para falar sobre os avanços dos corredores ferroviários entre o Acre e outros países. Ele reforçou a entrega do Corredor Rodoviário Bioceânico até o final de 2026, com a conclusão da ponte de 1.600 metros e da pavimentação do trecho conhecido como Chancay. “Essa é uma oportunidade concreta para que o Acre se conecte com o Pacífico por uma rota pensada para atender às necessidades do setor produtivo e da sociedade local”, disse Parkinson. Conexões Internacionais Parkinson também reforçou que essa infraestrutura deve estar ancorada em um modelo de governança sólido, com múltiplos atores e níveis de participação. “Sem governança, os esforços se diluem. Precisamos de uma instância que envolva governos, setor privado, academia e comunidades locais”, defendeu. Mediado por Marky Brito, diretor de Desenvolvimento Regional da Secretaria de Estado de Planejamento do Acre, o debate destacou a importância de construir um modelo de integração que fortaleça o comércio e a mobilidade na região, mas que também respeite as especificidades ambientais e sociais da Amazônia. “O Brasil não pode pensar sozinho seu plano de bioeconomia. A fronteira amazônica não termina em nosso território. Precisamos de instrumentos eficazes de colaboração internacional para que o desenvolvimento seja, de fato, pan-amazônico”, observou Marky Brito. O painel também discutiu os impactos da presença da China na infraestrutura da região, com destaque para dois projetos estratégicos: o megaporto de Shangai, já em operação, e a proposta da ferrovia Brasil–Peru, que voltou à pauta entre os governos chinês e brasileiro. “O comércio transcontinental e o escoamento para o Pacífico e a Ásia têm potencial para impulsionar a bioeconomia da Amazônia, mas é preciso atenção aos riscos socioambientais e à soberania local. Vivemos isso no Acre todos os dias”, disse Brito. Esforço Coletivo Outro ponto abordado foi a necessidade de repensar as rotas comerciais diante das mudanças climáticas e instabilidades geopolíticas, como as recentes restrições no Canal do Panamá. “O acesso a mercados globais depende de rotas adaptadas à realidade da floresta. Não se trata apenas de exportar, mas de garantir que a bioeconomia chegue com valor aos destinos certos”, reforçou o Marky. O ministro Carlos Pakinson apresentou ainda a proposta de criação de uma secretaria técnica e de um comitê consultivo privado para garantir que as decisões sobre infraestrutura dialoguem com as realidades ambientais e produtivas da região. “Não vejo esse corredor como uma simples via para escoar grãos. O Acre tem uma sensibilidade ambiental e produtiva que exige planejamento específico para os produtos da sociobiodiversidade”, afirmou. Outros Pontos de Vista Complementando a discussão, a pesquisadora Marta Cerqueira Melo destacou que os investimentos na Pan-Amazônia precisam ser guiados por uma lógica própria da região. Já o secretário estadual de Planejamento, Ricardo Brandão, reforçou o papel do Acre como articulador de soluções logísticas sustentáveis na fronteira com o Peru e a Bolívia. Txai Amazônia Realizado pelo Instituto Sapien – Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) dedicada à pesquisa e gestão para o desenvolvimento regional –, em colaboração com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), o Governo do Estado do Acre, por meio das Secretarias de Estado de Povos Indígenas (SEPI), Planejamento (SEPLAN), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (FAPAC) e mais de 20 instituições acreanas, o Seminário Internacional Txai Amazônia se apresenta como uma plataforma para a formulação de soluções inovadoras, integrando conhecimento técnico-científico, inovação e sabedoria ancestral. A programação do Txai Amazônia continua no sábado, 28, à tarde. Para conferir, acesse o site: www.txaiamazonia.com.br. Os debates dos painéis temáticos podem acompanhados ou reassistidos pelo canal do Instituto Sapien youtube.com/@InstitutoSapien.
Saberes da Floresta e Soluções Sustentáveis ganham destaque nos casos de sucesso do Txai Amazônia
Artesanato, Energia Limpa, Bioconstrução e Protagonismo Internacional Marcaram a Tarde do Segundo Dia do Seminário O Seminário Internacional Txai Amazônia reuniu, nesta quinta-feira, 26, histórias inspiradoras de quem transforma a floresta em fonte de renda, cultura e inovação. A programação da tarde de cases de sucesso começou às 14h com dois projetos: a Associação Dianopolina de Artesãos, do Tocantins, e a empresa acreana Manutata, referência no beneficiamento da castanha-da-Amazônia. Representando a associação de mulheres de Dianópolis, Eliene emocionou o público ao compartilhar a trajetória de luta e valorização do artesanato em capim dourado. A iniciativa, que fortalece a autonomia feminina e a preservação do cerrado, chamou atenção pela beleza e originalidade das peças expostas. “A importância de participar do seminário está no reconhecimento de toda a nossa trajetória com a associação, na troca com outros artesãos e na divulgação do nosso artesanato”, afirmou com orgulho. Casos de Sucesso Na sequência, a Manutata apresentou sua experiência como indústria amazônica de impacto socioambiental, conectando comunidades extrativistas a mercados nacionais e internacionais. Com foco na castanha-da-Amazônia, a empresa aposta em tecnologia e valorização da floresta em pé como modelo de negócio sustentável e replicável em outros territórios amazônicos. Já às 16h, foi a vez da Bambuzini Escola de Bioconstrução e do projeto Carvão de Açaí encantarem o público com soluções que transformam resíduos e recursos abundantes da floresta em oportunidades econômicas e ambientais. A jovem empreendedora que apresentou a Bambuzini destacou a receptividade do público e o potencial do bambu. “Gostei muito da interação e de ver como ficaram maravilhados com o potencial do bambu, porque é um material renovável, abundante e com inúmeros usos, desde a construção até o mobiliário. Espero que mais pessoas conheçam e se apaixonem, assim como eu”, relatou com entusiasmo. Conexão da Tríplice Fronteira Encerrando o bloco de apresentações, o seminário abriu espaço para o diálogo internacional, com representantes da Bolívia e do Peru compartilhando experiências territoriais de enfrentamento à crise climática e fortalecimento da economia da floresta. A participação da Autoridad Plurinacional de la Madre Tierra (Bolívia) e da Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva Peruana trouxe reflexões sobre justiça climática, participação das mulheres e redes de cooperação entre povos indígenas e comunidades locais. “A Bolívia vem fortalecendo as cadeias produtivas dos recursos florestais não madeireiros, como a castanha, o açaí e o majo, que geram renda para milhares de famílias indígenas e camponesas. Nosso objetivo é agregar valor a esses produtos e melhorar a qualidade de vida nas comunidades”, destacou a representante da Autoridad Plurinacional de la Madre Tierra. A representante peruana reforçou a importância de manter os saberes vivos e de unir esforços: “Quando queremos ajudar, nenhum recurso é suficiente sozinho. Por isso, nos juntamos para compartilhar e fortalecer nossos caminhos”, disse. Além dos casos de sucesso, o dia também contou com exposições de produtos da sociobiodiversidade, painéis temáticos e apresentações culturais, conectando tradição, inovação e futuro na Amazônia viva que queremos construir.
FestCine Originários exibe produções sobre vivência na floresta em programação do Txai Amazônia
O Txai Amazônia é um seminário internacional de bioeconomia e sociobiodiversidade que tem como objetivo discutir o desenvolvimento econômico por meio de políticas públicas. Como parte da programação, o FestCine Originários promove a exibição de produções audiovisuais feitas no Acre. Nesta quinta-feira, 26 de junho, seis produções acreanas foram exibidas a partir das 12h, no auditório do eAmazônia, onde acontece o Txai Amazônia. Os filmes relatam a vivência na floresta, com maior destaque para os indígenas. O FestCine Originários exibe produções durante todos os dias de programação do Txai Amazônia, que se estende até este sábado, 28 de junho. A inscrição para o evento é gratuita para todos os públicos.
Natura Ekos apresenta case no Txai Amazônia: ‘Fortalecendo comunidades tradicionais e mantendo a floresta em pé’
Experiência apresentada no Txai Amazônia destaca integração de saberes, com atuação em diversos países da Pan-Amazônia. A Natura Ekos apresentou um modelo concreto de cadeia produtiva sustentável, que há mais de duas décadas conecta comunidades tradicionais à geração de renda por meio do uso responsável da sociobiodiversidade amazônica. Essa experiência foi destacada no segundo dia do Txai Amazônia, nesta quinta-feira, 26. Representada por Mauro Corrêa da Costa e Diego Viégas, a empresa compartilhou sua trajetória de atuação junto a povos extrativistas em áreas de alta relevância ecológica e cultural. “Estamos há 25 anos nessa jornada de muitos aprendizados, erros e acertos, mas sempre com humildade e respeito à diversidade ambiental e cultural”, destacou Mauro, gerente sênior de Suprimentos da Sociobiodiversidade da empresa. A iniciativa surgiu com o propósito de integrar o conhecimento tradicional ao planejamento estratégico de suprimentos, criando um sistema de relações comerciais de longo prazo e respeitoso com as particularidades ambientais e sociais da região. Segundo ele, lidar com itens de safra em territórios diversos da Pan-Amazônia – como Brasil, Colômbia, Peru e Equador – exige planejamento logístico apurado e sensibilidade às realidades locais. O desafio é garantir o abastecimento contínuo, sem renunciar aos ciclos naturais dos produtos e das decisões comunitárias. “É uma obra de arte extremamente complexa, e só com o tempo fomos aprendendo a definir as melhores estratégias para lidar com isso”, afirmou. Estruturação de Possibilidades A estruturação dessa cadeia sustentável inclui pesquisa aplicada, governança compartilhada e acordos que promovem o comércio justo. Comunidades extrativistas recebem apoio técnico, são envolvidas no planejamento e fortalecem sua autonomia econômica sem recorrer ao desmatamento. A programação segue até sábado, com debates sobre bioeconomia indígena, financiamento climático e justiça ambiental.
Teatro, Grafite e Música: Mostra Une Artistas e Fazedores de Cultura do Acre no Txai Amazônia
O Txai Amazônia, evento que acontece no eAmazônia, localizado na Universidade Federal do Acre (Ufac), e se estende até este sábado, 28 de junho, reúne artistas e fazedores de cultura em um palco. Na manhã desta quinta-feira, 26 de junho, o teatro ficou por conta do Grupo Candeeiro, com a peça “Afluentes Acreanas”, vencedora do Prêmio Arcanjo de Cultura. Em seguida, o coletivo TRZ Crew realizou uma vivência com grafite, música e poesia. Para JR TRZ, fundador do TRZ Crew, a proposta do Txai Amazônia tem forte ligação com a atuação do coletivo. “Nós trouxemos um pouco do nosso universo, que é o grafite, poesia e música. Tudo isso está dentro dos nossos elementos e queríamos trazer um pouco disso para a galera curtir e passar essa mensagem tão forte que a nossa cultura traz”, explica. JR TRZ destaca, ainda, que o trabalho do coletivo não é apenas artístico: “ele é de protesto, de busca por melhorias e revolução, principalmente para o que a gente está debatendo aqui, que é o nosso futuro. Estamos muito felizes de estar aqui. O Instituto Sapien está nos acelerando para o ano que vem e estar nesse ambiente nos torna mais forte”, ressalta. Durante a tarde, o público pôde vivenciar a performance “Corpo Terreiro”, da artista Joy Ramos, às 15h. No final do dia, a DJ Cau Bartholo promoveu mais uma experiência com músicas da Amazônia. Às 18h, o tradicional grupo Jabuti Bumbá se apresentou com mistura de música, dança e teatro com mensagens de preservação e resistência.
Bioeconomia em destaque: empresas mostram força da sociobiodiversidade no Txai Amazônia
A bioeconomia e a sociobiodiversidade são pilares de diversas empresas na Amazônia, com foco no extrativismo e no desenvolvimento econômico. Na manhã desta sexta-feira, 27 de junho, três empresas se destacam como casos de sucesso desse modelo no Txai Amazônia, que acontece no eAmazônia, na Universidade Federal do Acre (Ufac). O professor da Ufac, João Paulo Mastrângelo, apresenta a pesquisa sobre a caracterização do território, economia e população da Amazônia. De acordo com o pesquisador, que coordena a área de economia e política florestal, o estudo apresenta dados de contexto sobre a região amazônica, enfatizando as questões da economia e a situação da população. “O debate é para entender a conjuntura atual, quais são as principais tendências e de que modo a gente pode pensar, para frente, algum tipo de solução para os desafios da região”, explica. O movimento interestadual Quebradeiras de Coco Babaçu, dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, voltado para o extrativismo, fala sobre a produção. Roselícia Rodrigues, coordenadora do movimento, destaca que a alimentação e toda a coleta são feitas na natureza. “Nós somos quebradeiras de coco, extrativistas, e vivemos de coletar coco na floresta de Babaçu, com a palmeira-de-babaçu, que chamamos de mãe palmeira. Nós vivemos disso, da bioeconomia e da sociobiodiversidade”, ressalta. Jéstica Gomes e Paulo Oliveira, da Chapada Diamantina, trabalham com um laboratório de óleos essenciais naturais. “Nós fazemos desde a colheita da planta até a destilação. Depois, a gente produz os cosméticos naturais com a base de óleos essenciais também. Nós trabalhamos bastante com óleos essenciais nativos brasileiros e da nossa região, como aroeira, cítricos e com plantas nativas da Bahia, que são pouco conhecidas também”, destaca. Paulo Oliveira, também representante da Essências da Chapada, afirma que a bioeconomia está presente no formato que a empresa trabalha com a comunidade. “Nós temos um pequeno laboratório, mas a gente tenta sempre incluir a comunidade local dentro do nosso projeto”, ressalta. As apresentações são parte da programação do evento, que é gratuito e se estende até sábado, 28.
Agricultura familiar é chave para bioeconomia inclusiva e sustentável na Amazônia, aponta debate no Txai Amazônia
A discussão reuniu representantes do governo federal, da academia e de organizações da sociedade civil para ampliar o olhar sobre cadeias produtivas Abrindo os debates da tarde, desta quinta-feira, 27, do Seminário Internacional Txai Amazônia, o painel “Agricultura Familiar e a Bioeconomia na Amazônia” reuniu especialistas com vivência em diferentes dimensões do desenvolvimento sustentável. Com mediação do economista acreano Dande Tavares, a mesa integrou o eixo temático Organização da Produção e Cadeias Produtivas na Bioeconomia. “Esse é um tema com múltiplas transversalidades”, destacou Dande. “Falar de bioeconomia é também falar de mudanças climáticas, de perda de biodiversidade, de sustentabilidade ambiental, prosperidade econômica e justiça social. E para isso, precisamos integrar perspectivas e territórios”. A proposta do painel foi abordar os desafios e as possibilidades da agricultura familiar como base para cadeias produtivas sustentáveis, promovendo inclusão social, uso inteligente dos recursos naturais e geração de renda com justiça ambiental. Novas perspectivas A mesa foi composta por Patrícia Melo Yamamoto, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Maria Lucimar Souza, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM); e o vice-reitor da Universidade Federal do Acre, professor Josimar Batista Ferreira. Durante sua fala, Dande destacou também a importância das cooperativas que operam com base no agroextrativismo familiar no Acre. “A visão prática e organizada de quem opera no dia a dia com essas cadeias produtivas, assim como a perspectiva trazida para ampliar a profundidade da discussão, são essenciais”, disse. A proposta do seminário é justamente promover esse encontro de saberes que reconheça a complexidade dos territórios amazônicos e a necessidade de soluções integradas. A programação do dia seguiu com outras mesas temáticas, oficinas, rodas de conversa e uma mostra de iniciativas sustentáveis que ilustram como a bioeconomia pode se materializar no chão da floresta.
Mulheres da Amazônia mostram força e protagonismo na construção da bioeconomia no Txai Amazônia
Painel destaca experiências de liderança feminina em comunidades indígenas e espaços de decisão pública Com olhares atentos, o painel “O Gênero e a Preservação do Meio Ambiente: O Papel das Mulheres da Amazônia no Desenvolvimento da Bioeconomia” abriu espaço para reconhecer e valorizar o protagonismo feminino na sustentabilidade da floresta, nesta quinta-feira (26), no Txai Amazônia. Mediado pela professora Andrea Alechandre, da Universidade Federal do Acre (UFAC), o debate reuniu lideranças indígenas, extrativistas e representantes de instituições públicas para refletir sobre a força das mulheres na agricultura familiar. “A liderança feminina em cooperativas, associações, iniciativas sustentáveis e na política pública precisa ser visibilizada como motor real da bioeconomia na Amazônia”, afirmou Andrea, ao iniciar o painel. Doutoranda em Produção Vegetal, com mais de 30 anos de atuação junto a comunidades tradicionais, a mediadora conduziu o debate destacando dados que reforçam a presença ativa das mulheres nos sistemas produtivos da floresta: segundo o IBGE, quase 20% dos estabelecimentos agropecuários da região Norte são chefiados por mulheres, especialmente na agricultura familiar. Vozes Femininas Com vozes e trajetórias diversas, as painelistas Xiu Shanenawa, Leide Aquino, Márdhia El-Shawwa Pereira e Júlia Yawanawá compartilharam experiências de luta, organização e transformação dos territórios a partir da atuação feminina. Xiu, liderança do povo Shanenawa, destacou a multiplicidade de frentes em que as mulheres indígenas atuam: da saúde ao empreendedorismo, da articulação política à valorização cultural. Já Leide, moradora da Reserva Extrativista Chico Mendes, reforçou o papel da mulher extrativista na defesa dos modos de vida tradicionais e na construção de cadeias produtivas sustentáveis. Durante a conversa, foram citados ainda projetos como o da Terra Indígena do Xingu, no Mato Grosso, onde mais de 200 mulheres indígenas atuam na comercialização de sementes nativas. O painel integra a programação do segundo dia do Seminário Internacional Txai Amazônia, que segue com exposições culturais, rodas de conversa, oficinas e mostra de experiências bem-sucedidas da sociobiodiversidade.
Bioeconomia e sociobiodiversidade: empresas amazônicas são destaque no uso de produtos da floresta
O desenvolvimento econômico e a bioeconomia são pontos focais de empresas amazônicas apresentadas como cases de sucesso no segundo dia de programação do Txai Amazônia, nesta quinta-feira, 26, no eAmazônia, localizado na Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, no Acre. O evento, que acontece até sábado, 28, reúne diversas empresas que atuam dentro da sociobiodiversidade, com produtos da Floresta Amazônica, como a Amazonly Cosmetics, apresentada por José Cláudio Balducci. José Cláudio, natural do Amapá, explica que a Amazonly Cosmetics é uma indústria de extração de óleos e manteigas vegetais, com viés em pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Nosso trabalho é com os extrativistas. Estamos falando de comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas, comunidades tradicionais do estado do Amapá, trazendo essas matérias-primas e insumos para dentro da empresa, produzindo, fazendo a extração e filtração desses óleos”, explica. José Cláudio ressalta, ainda, que a empresa foca na questão da rastreabilidade e na origem dessas sementes, bem como nas certificações, como a orgânica, visto que os produtos da Amazonly Cosmetics são 100% puros e naturais. Pronatus A empresa Pronatus do Amazonas Beleza e Cosméticos, que trabalha com ingredientes da sociobiodiversidade há 39 anos, também foi destaque de sucesso, apresentada pelo farmacêutico Evandro da Silva. “Minha empresa foi construída em função da minha parte técnica. Meu sonho, desde a faculdade, era montar uma empresa que tivesse uma visão amazônica, utilizando a biodiversidade”, explica. Evandro destaca, ainda, que a empresa é fundamentada em cosmético popular, com diferencial para o uso de ingredientes amazônicos. “As propriedades medicinais da flora amazônica, através de outro tipo de cosmético, considerado cosmético funcional, conhecido como cosmecêutico. Embora não exista essa figura na Anvisa, há uma tendência mundial. Nós aproveitamos essa linha de trabalho para fazer xampus, sabonetes, óleos de massagem e outros produtos”, afirma. Mato Grosso e Roraima O extrativismo também está presente no Projeto Mam Gap, do Mato Grosso, apresentado por Alexandre Zoró, que representa a Associação do Povo Indígena Zoró (Apiz). A iniciativa fortalece a identidade cultural e a autonomia do povo. “Atuamos dentro da bioeconomia com a parte do extrativismo, principalmente pela produção de castanha-do-Brasil”, explica. Em Boa Vista (RR), a Daval Alimentos Amazônicos se destaca pela produção de pimentas e geleias com ingredientes da floresta, a partir da agricultura familiar, utilizando produtos como pimentas diversas, tucumã, pupunha, manga e mel, apresentada pela representante Valdeniza Bezerra. Os casos de sucesso são destaque no Txai Amazônia, que apresentam empresas da região que apostam na bioeconomia e sociobiodiversidade para o desenvolvimento econômico dos estados amazônicos.