Do grafite à vivência indígena, a Mostra Artística Cultural celebra as múltiplas culturas da Amazônia O Seminário Internacional txai Amazônia ofereceu uma programação diversificada durante seus quatro dias de evento, realizado no eAmazônia, na Universidade Federal do Acre (Ufac), entre 25 e 28 de junho. Na Mostra Gastronômica, seis chefs de cozinha acreana apresentaram e comercializaram diversos produtos feitos com ingredientes regionais, unindo sabores, tradição e bioeconomia. Já a Mostra Artística Cultural de Bioeconomia transformou o palco do Txai Amazônia com 23 apresentações e mais de 160 artistas acreanos envolvidos, incluindo shows, músicas, espetáculos, desfiles, vivências e outras performances. Dito Bruzugu, cantor do Acre, contou que foi convidado para participar do evento e garantiu muita dança com o Forró no Balde. “Trouxemos um pouco dessa tradição das raízes, dos forrós que aconteciam no seringal. Essa é a nossa proposta com o Forró no Balde: resgatar algo mais tradicional, da nossa ancestralidade, da música”, afirmou. O desfile de moda indígena Yawa Tari, que difundiu a roupa yawa (termo na língua do povo Yawanawa), foi um dos grandes destaques da Mostra Cultural. As vestimentas são inspiradas nos “kenes yawa“, pinturas tradicionais do povo Yawanawa, antes feitas na pele e agora aplicadas em tecidos de algodão. Os “kenes” representam aspectos tradicionais e espirituais, transmitidos oralmente entre gerações, e simbolizam figuras da floresta como a cabeça da jiboia (Runua mapu), a jiboia (Runua), a ponta da lança (Paspi), a espinha do peixe tambuatá (Vashu shaka) e a borboleta (Awavena). Nedina Yawanawa, artesã e ativista pelos direitos indígenas e pelo protagonismo feminino, destaca que a ideia surgiu em 2018. “Desde pequena vivemos e aprendemos a fazer os desenhos. É uma forma de perpetuar e dialogar com a sociedade. Temos essa riqueza de desenhos, que vêm através de histórias. Com as peças, trazemos história e tradição, porque tudo, para nós, tem significado. Tudo que desenhamos são seres da floresta, dessa conexão”, conta. Eliane Yawanawa explica que as peças são confeccionadas e pintadas manualmente. “A peça tem um valor muito forte, que é o espiritual. Recebemos esses desenhos através da espiritualidade. Assim, vestimos tradições e culturas”, conta. De acordo com Eliane, as peças podem ser encomendadas pelo Instagram @elianeluizayawanawa ou @yawa.tari. Os espetáculos emocionaram e divertiram o público. A atriz Catarina Cândida, que apresentou o espetáculo “Tonha”, ressaltou o sentimento de interpretar uma personagem que conta a história de muitos acreanos. “Foi a peça que me deixou mais emocionada. No momento da fala final, eu já estava quase em lágrimas. Havia um grupo de mulheres de Xapuri, muito especiais para mim, que vieram assistir e foi muito emocionante vê-las, mulheres que viveram no seringal, que são as seringueiras. Ver essas mulheres falando sobre identificação, além de outros jovens que relatam se lembrar de seus avós e bisavós, é algo que me encoraja muito para a próxima versão”, destaca. Além de “Tonha”, o Grupo Candeeiro também se apresentou com a peça “Afluentes Acreanas”, vencedora do Prêmio Arcanjo de Cultura. Na dança, a aula-espetáculo “Carimbó para despertar o corpo”, com a artista Camila Cabeça, a performance “Corpo Terreiro de Arte”, com a artista Joy Ramos, e “Correrias”, com X. Nas vivências, o público participou, cantou, dançou e se divertiu com o coletivo TRZ Crew, que apresentou grafite, música e poesia. Com os indígenas Huni Kuin, Yawanawa e o grupo Shane Yawa Saity, os presentes também vivenciaram uma imersão na dança e música dos povos originários. Para JR TRZ, fundador do TRZ Crew, a proposta do Txai Amazônia tem forte ligação com a atuação do coletivo. “Trouxemos um pouco do nosso universo, que é o grafite, poesia e música. Tudo isso faz parte dos nossos elementos e queríamos compartilhar um pouco disso para a galera curtir e passar essa mensagem tão forte que a nossa cultura traz”, explica. Os shows também reuniram grande público com os artistas Ixã, cantor descoberto pelo DJ Alok, e Maya Dourado, que apresentou o show “Salve Essa Terra”. Além disso, a DJ Cau Bartholo participou todos os dias com um sunset com músicas da Amazônia. Cau tem 23 anos de carreira e é conhecida por sua abordagem única de remixar músicas da floresta. “Foi uma honra enorme, porque sou artista da terra, toco há 23 anos e estou aqui representando a parte da música eletrônica. Estou muito feliz, foram quatro dias de muito som, de afro house com brasilidades e com as minhas músicas para as pessoas conhecerem. Foi um saldo positivo total. Vida longa ao Txai!”, disse. O FestCine Originários também fez parte da programação durante os quatro dias de evento, com exibição de curtas-metragens, longas-metragens e documentários sobre vivências na floresta, com destaque para os povos indígenas. Sobre o Txai Amazônia O Txai Amazônia contou com a participação de representantes dos nove estados da Amazônia Legal, além de comitivas do Peru e Bolívia. Durante os quatro dias de evento, foram apresentados sete eixos temáticos em 15 painéis.
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Eugênio Pantoja revela pesquisa para fortalecer a sociobiodiversidade da Amazônia
O estudo destaca dados essenciais para políticas e projetos que valorizam a floresta e as comunidades locais. O gerente sênior de performance social da Hydro, Eugênio Pantoja, apresentou sua pesquisa detalhada sobre a bioeconomia e a sociobiodiversidade na Amazônia no último dia do Seminário Internacional Txai Amazônia, sábado, 28 de junho. “Enfrentamos uma crise de identidade dos povos […] Nesse contexto global, eventos como o Txai Amazônia, que refletem sobre estratégias de bioeconomia para uma região específica, são fundamentais, pois oferecem a oportunidade de discutir soluções para algumas dessas crises”, disse Pantoja. A iniciativa oferece uma base qualificada para subsidiar decisões estratégicas que promovem o desenvolvimento econômico dos territórios, respeitando os saberes tradicionais e a conservação ambiental. Desafios e planejamento Contudo, existem desafios como a falta de infraestrutura e de energia suficiente para o desenvolvimento das regiões, as grandes distâncias e a logística difícil na Amazônia. Além disso, há conflitos socioambientais presentes de diferentes formas, a falta de regularização e segurança fundiária para o desenvolvimento das atividades. “Esse conjunto de elementos traz desafios para pensarmos a Amazônia como uma região desenvolvedora de negócios e de serviços ambientais, de ativos ambientais, de forma cada vez mais positiva. Ela é uma região extremamente rica, como já sabemos, mas que precisa distribuir melhor os benefícios gerados a partir do desenvolvimento econômico”, continuou. A pesquisa que ele apresentou ressalta o território amazônico como estratégico não só para a região, mas para a sustentabilidade global e para as populações que aqui vivem. Olhar global Segundo Eugênio, o mundo enfrenta crises interligadas que impactam diretamente o uso dos recursos naturais. Conflitos geopolíticos, insegurança alimentar crescente, crise climática, perda da biodiversidade e desafios na governança global trazem reflexos profundos para a Amazônia. “Essas conexões nos fazem refletir sobre o papel do Brasil no cenário internacional, especialmente em conferências de biodiversidade, clima, desertificação e recursos hídricos. O país tem a chance de liderar uma transição climática justa e sustentável, valorizando sua biodiversidade e diversidade cultural”, explica. Advogado paraense com ampla trajetória em instituições como IPAM, Governo do Acre, CI-Brasil, GIZ e atualmente gerente sênior da Norsk Hydro Brasil, Pantoja soma experiências em políticas públicas, mercados de carbono, pagamentos por serviços ambientais e fortalecimento de iniciativas locais em territórios como Acre, Pará, Amazonas e Maranhão. Sua atuação articula saberes técnicos com vivência direta junto a povos indígenas, comunidades tradicionais e gestores públicos. Ele destaca que o Brasil possui dois diferenciais competitivos globais: um deles é a produção de commodities tradicionais como mineração e agronegócio; e o outro, muitas vezes menos discutido, é justamente o potencial da floresta e da sociobiodiversidade para gerar alternativas econômicas inovadoras e sustentáveis. Contra um olhar colonizado “Sabemos que, muitas vezes, aqui na Amazônia, existe muito preconceito sobre o que se faz. Ainda há uma visão colonizada que diz que o que é bom vem de fora, como diz aquela música: ‘o que é bom vem de fora’. Mas isso não é verdade. Aqui temos ciência e tecnologia sendo desenvolvidas, além de uma diversidade étnico-cultural que permite inovar em diferentes frentes. Tudo é possível de se desenvolver na Amazônia”, refletiu o advogado. O estudo apresentado traz um levantamento robusto que conecta ativos da sociobiodiversidade com oportunidades econômicas, apoiando pequenos produtores e projetos inovadores. Essa abordagem cria pontes entre conservação ambiental e desenvolvimento social, contribuindo para modelos próprios de crescimento na Amazônia. “Cada um pode ter uma definição de bioeconomia, mas é uma bioeconomia associada à nossa realidade. Uma das primeiras reflexões no documento é que o conceito de bioeconomia está em construção, justamente por ser muito recente”, declarou. A proposta é construir pontes entre os saberes amazônicos e as novas oportunidades para impulsionar uma bioeconomia de verdade, com base na floresta viva e nas pessoas que nela vivem. O Txai Amazônia é mais um passo nessa caminhada coletiva.
Do Cerrado para a Amazônia: conexão entre biomas impulsiona cultura com ancestralidade
Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge promove encontros anuais com indígenas de diversos povos “É um encontro entre diferentes culturas. É uma tradição.” É assim que Juliano Basso, da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, da Vila de São Jorge — povoado a 35 km de Alto Paraíso (GO), na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros —, define os eventos realizados na comunidade. A quilômetros de distância de sua comunidade, Juliano participou do Seminário Internacional de Bioeconomia e Sociobiodiversidade Txai Amazônia, em Rio Branco, capital do Acre, entre os dias 25 e 28 de junho. O seminário se consolidou como uma plataforma voltada à formulação de soluções inovadoras, integrando conhecimento técnico-científico, inovação e sabedoria ancestral. Durante o evento, Juliano compartilha as experiências desenvolvidas pela Casa de Cultura. “Há muitos anos promovemos encontros entre diferentes culturas. Por estarmos em uma região central do Brasil, esses encontros se tornaram uma tradição anual. Em 2025, completamos 25 anos do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros”, afirma. De acordo com Juliano, a primeira parte do evento é a Aldeia Multiétnica, que reúne vários povos indígenas que trazem soluções e vivências, tanto entre si quanto com os não indígenas. “O evento promove a sensibilização e o conhecimento para as diferentes etnias, uns com os outros, nesta interação, mas também com os não indígenas, para que possam reconhecer os povos e saber um pouco mais, devido também à falta de informação que temos durante os processos educacionais no Brasil”, destaca. Conexão com os povos do Acre No Acre, os povos indígenas também promovem festivais nas aldeias. Segundo Juliano, o Acre é um estado com uma população indígena grande, que se destaca pelo empreendedorismo, atividades e cultura no fortalecimento de territórios e de preservação. “Essa ligação é muito forte nesse sentido da participação deles nos eventos, trazendo conhecimento acumulado aqui e trocando com os outros parentes e com as outras pessoas. Todo ano, no mês de julho, promovemos o intercâmbio”, explica. Juliano destaca, ainda, que o diálogo entre biomas – amazônico e cerrado – é importante. “As coisas são todas interligadas, uma depende da outra, então aproximar os dois biomas é muito importante. A ideia é que possamos estreitar laços cada vez mais, principalmente com as associações de base comunitária, desenvolvendo tecnologias sociais e ambientais que esses povos já têm, mas também aproximando e entendendo esses diferentes biomas e os povos tradicionais que habitam neles, além das formas como eles utilizam os recursos naturais sustentavelmente. Essa conexão é muito importante para o futuro”, ressalta. Parceria O coordenador da Aldeia Multiétnica ressalta que parcerias são fundamentais para a execução de projetos, como o Instituto Sapien, que se conecta ao Txai Amazônia. “A ideia é que possamos trabalhar sempre em parceria com o Instituto, que está abrindo trabalhos de diálogos muito importantes, e que possamos, nos próximos anos, fortalecer esse diálogo”, afirma. Questionado sobre a importância do seminário internacional realizado no Acre, Juliano aponta que ele acontece em um momento histórico de “extrema força e originalidade”. “Quando nos encontramos e criamos novas ideias, através do compartilhamento de conhecimentos, as pessoas se encontram empaticamente com outras afins que podem, com certeza, desenvolver novos trabalhos. Trazer financiadores e quem tem os projetos e criar um diálogo entre os diferentes atores da sociedade, com o poder público promovendo um arranjo produtivo, é trazer resultados que vão se acumulando e crescendo com o tempo, fortalecendo a ideia de ancestralidade.”
Saberes Ancestrais no Centro da Bioeconomia: Painel do Txai Amazônia Destaca Protagonismo Indígena
O painel valoriza o papel de comunidades tradicionais como guardiãs da sociobiodiversidade e do desenvolvimento sustentável Rio Branco, Acre – Encerrando as discussões da tarde do terceiro dia do Seminário Internacional Txai Amazônia, realizado na Universidade Federal do Acre (Ufac) nesta sexta-feira, 27 de junho, o painel “Comunidades Tradicionais e a Sua Diversidade Cultural: Saberes, Fazeres e a Bioeconomia” reforçou o protagonismo dos povos da floresta na construção de soluções sustentáveis. A mediação foi conduzida por Nedina Yawanawa, da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (SEPI), que abriu o encontro destacando o papel dos saberes e fazeres tradicionais como base para qualquer modelo de desenvolvimento que busque, de fato, respeitar a Amazônia. “Eles fundamentam esse desenvolvimento sustentável. São pilares que precisamos reconhecer não só com palavras, mas com políticas públicas e instrumentos de valorização e proteção cultural”, afirmou Nedina. Olhar Feminino Sobre a Luta O painel contou com a participação de Paka Yawanawa, músico e liderança do povo Yawanawa, que compartilhou a experiência de sua comunidade na preservação dos territórios diante dos desafios contemporâneos. Roselice Rodrigues da Silva, quebradeira de coco e referência nacional no Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, reforçou como o extrativismo e o cooperativismo das mulheres têm gerado renda. Já Terezinha Aparecida Borges, pesquisadora da Embrapa, destacou o papel da etnociência e da conservação dos recursos genéticos como parte essencial da segurança alimentar dos povos tradicionais. A partir do diálogo entre os convidados, o painel evidenciou que a bioeconomia amazônica só se sustenta com o reconhecimento dos territórios, a proteção dos saberes ancestrais e a criação de caminhos que gerem renda com base na cultura, na floresta e na coletividade. Práticas como o turismo de base comunitária, o artesanato, os produtos da sociobiodiversidade e os serviços ambientais foram citados como estratégias concretas de inclusão e sustentabilidade. O seminário continua no terceiro dia com novos debates sobre políticas públicas e instrumentos de financiamento climático. O encerramento do evento acontece no quarto e último dia, 28 de junho, com uma programação marcada por trocas de experiências, cultura viva e a reafirmação da Amazônia como território de soluções. Txai Amazônia Realizado pelo Instituto Sapien – Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) dedicada à pesquisa e gestão para o desenvolvimento regional –, em colaboração com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), o Governo do Estado do Acre, por meio das Secretarias de Estado de Povos Indígenas (SEPI), Planejamento (SEPLAN), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (FAPAC) e mais de 20 instituições acreanas, o Seminário Internacional Txai Amazônia se apresenta como uma plataforma para a formulação de soluções inovadoras, integrando conhecimento técnico-científico, inovação e sabedoria ancestral. Para conferir tudo que rolou no Txai Amazônia, acesse o site: www.txaiamazonia.com.br. Os debates dos painéis temáticos podem ser acompanhados ou reassistidos pelo canal do Instituto Sapien no YouTube.
Pesquisa vira solução: Ufac e Sebrae mostram o potencial de inovação na Amazônia
A parceria de sucesso destaca a integração entre saber acadêmico e empreendedorismo em projetos de bioeconomia e impacto social. O evento Txai Amazônia, realizado nesta sexta-feira (27), reuniu representantes do Sebrae, professores da Universidade Federal do Acre (Ufac), consultores e estudantes para debater uma conexão essencial para o futuro da região. Rosa Nakamura, gestora de inovação do Sebrae no Acre, abriu as discussões destacando a importância da bioeconomia como eixo estratégico. “Quando se fala em bioeconomia, é uma grande referência para nós, porque é exatamente o trabalho que fazemos dentro das universidades, junto aos pesquisadores. Todos os projetos que incentivamos têm base na bioeconomia”, afirmou Nakamura. Essa visão foi complementada por Vander Nicácio, consultor de inovação que atua no Sebrae desde 2021. Ele detalhou como a organização tem atuado para acelerar esse tipo de transformação por meio de programas como o Inova Amazônia. “A ideia é mostrar como o Sebrae consegue acelerar esses negócios, transformando pesquisa em retorno para as pessoas. Muitas vezes, é o resultado de um trabalho de mestrado ou doutorado que vira startup, um negócio inovador, e passa a contribuir de forma real para a Amazônia”, explicou Nicácio. Caminhos unidos Representando a universidade, a professora doutora Almercina Balbino Ferreira, da Ufac, defendeu a necessidade de uma aproximação contínua entre ensino, pesquisa e mercado. “É muito importante a interação entre o Sebrae e a Universidade porque a gente precisa unir forças para levar a nossa pesquisa, os nossos profissionais até o mercado”, afirmou a professora. Para Almecina, essa integração é estratégica para o fortalecimento da economia local de forma justa e sustentável. “Essa articulação entre ensino, pesquisa, extensão e negócios é essencial para unir a bioeconomia à economia local, respeitando a biodiversidade e a cultura de cada povo”, disse a pesquisadora. Nakamura reforçou que o objetivo do painel era demonstrar ao público que o conhecimento técnico e científico gerado no ambiente acadêmico pode e deve se transformar em soluções aplicadas. “Tudo que tiver conhecimento da universidade, nós podemos transformar em negócios de grande impacto”, enfatizou. Fomento para o futuro Vander Nicácio ressaltou ainda que o foco do Inova Amazônia foi, desde o início, trabalhar exclusivamente com startups de bioeconomia. “A ideia é fomentar projetos de pesquisa na área de bioeconomia que possam ir para o mercado e ajudar as pessoas no dia a dia delas”, explicou. Rodolfo Lira, estudante de medicina da Ufac, compartilhou a trajetória da startup que desenvolveu dentro da universidade, voltada para o monitoramento de pacientes crônicos. “O meu surgimento foi através dessa integração entre universidade e ecossistema de inovação. A gente desenvolveu uma startup na área da saúde, focada em monitoramento de pacientes crônicos, e hoje viemos mostrar que é possível transformar pesquisa em produto de impacto social”, contou Lira. Exemplo de sucesso Rodolfo explicou que a plataforma desenvolvida utiliza inteligência artificial e análise de dados para criar planos personalizados de acompanhamento preventivo, especialmente para pessoas com hipertensão e diabetes. “A gente passa a acompanhar o paciente, evitando agravamentos. Se ele já tiver uma doença crônica, conseguimos manter os níveis sob controle e promover mais qualidade de vida. Atuamos com acesso avançado e prevenção. É uma saúde inteligente, uma saúde longitudinal que traz impacto real na vida das pessoas”, detalhou. Ao aproximar universidade, Sebrae e mercado, surgem caminhos para negócios inovadores que valorizam o território, a cultura e o conhecimento local. No penúltimo dia do seminário, novas experiências continuam sendo apresentadas, reafirmando que soluções para o futuro da Amazônia já estão sendo construídas, e muitas delas nasceram dentro da sala de aula. Txai Amazônia Realizado pelo Instituto Sapien – Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) dedicada à pesquisa e gestão para o desenvolvimento regional –, em colaboração com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), o Governo do Estado do Acre, por meio das Secretarias de Estado de Povos Indígenas (SEPI), Planejamento (SEPLAN), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (FAPAC) e mais de 20 instituições acreanas, o Seminário Internacional Txai Amazônia se apresenta como uma plataforma para a formulação de soluções inovadoras, integrando conhecimento técnico-científico, inovação e sabedoria ancestral. Para conferir tudo que rolou no Txai Amazônia, acesse o site: www.txaiamazonia.com.br. Os debates dos painéis temáticos podem ser acompanhados ou reassistidos pelo canal do Instituto Sapien no YouTube.
No Txai Amazônia, empreendimentos revelam autonomia econômica com respeito à cultura e à floresta
Iniciativas do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima apresentam renda, inovação e valorização cultural em seus territórios Rio Branco, Acre – Empreendedoras, coletivos e projetos institucionais demonstraram na prática como a bioeconomia toma forma quando o conhecimento tradicional e a floresta se encontram. As apresentações de Cases de Sucesso no Seminário Internacional Txai Amazônia, realizadas nesta sexta-feira, 27 de junho, nas salas temáticas do espaço eAmazônia na Universidade Federal do Acre (Ufac), revelaram experiências concretas que conectam inovação, geração de renda, saberes ancestrais e sustentabilidade. Vera Lúcia, da comunidade indígena Kauwê, em Pacaraima (RR), compartilhou a inspiradora trajetória do Yuprimavera. Seu projeto transforma o cupuaçu em jujubas artesanais que carregam não apenas um sabor único, mas também uma história de resistência. “Eu vendia a polpa a R$10 o quilo, mas não dava para viver. A receita estava esquecida, num panfleto antigo. Eu melhorei, adaptei com o que eu tinha, e hoje ela é nossa”, contou Vera Lúcia. Em outra sala, o destaque foi a Saboaria Rondônia, uma iniciativa liderada por mulheres rurais que produzem cosméticos sustentáveis e veganos a partir de ingredientes amazônicos. A experiência evidencia como o saber tradicional, aliado à inovação e ao empreendedorismo coletivo, pode se transformar em um modelo de negócio com forte apelo ambiental e social. Parcerias e projetos impulsionam a bioeconomia local No segundo bloco da tarde, novas conexões ampliaram os horizontes da bioeconomia amazônica. A parceria entre Universidade, Sebrae e consultorias especializadas demonstrou como a integração entre conhecimento acadêmico e práticas empreendedoras pode impulsionar negócios de impacto positivo na floresta. Encerrando as apresentações, a marca coletiva Gosto da Amazônia emocionou o público com o depoimento de Ana Alice Oliveira, coordenadora da comercialização do pirarucu manejado da ASPROC, no Amazonas. Com seis anos de atuação, a marca articula organizações locais na cadeia produtiva do pirarucu e já colhe resultados significativos. “É um privilégio mostrar que temos resultados mesmo com tantos desafios. A floresta pode ser nosso sustento com dignidade”, afirmou Ana Alice. Sobre o Txai Amazônia O Seminário Internacional Txai Amazônia é uma iniciativa do Instituto Sapien — uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) focada em pesquisa e gestão para o desenvolvimento regional. O evento conta com a colaboração do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), do Governo do Estado do Acre (por meio das Secretarias de Estado de Povos Indígenas – SEPI, Planejamento – SEPLAN, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre – FAPAC), além do apoio de mais de 20 instituições acreanas. O seminário se consolidou como uma plataforma para a formulação de soluções inovadoras, integrando conhecimento técnico-científico, inovação e sabedoria ancestral. Para conferir a cobertura completa do Txai Amazônia, visite o site: www.txaiamazonia.com.br. Você também pode acompanhar ou reassistir aos debates dos painéis temáticos pelo canal do Instituto Sapien no YouTube.
Do Acre para o Mundo: SISA fortalece modelo próprio de desenvolvimento da Amazônia no Txai Amazônia
O painel apresentou como o sistema pioneiro de incentivos ambientais do Acre alia governança, conservação e renda para populações locais Rio Branco, Acre – O Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA), criado há mais de 15 anos pelo estado do Acre, foi o centro do debate “Do Acre para o Mundo: O SISA como Estratégia de Desenvolvimento Jurisdicional” no terceiro dia do Seminário Internacional Txai Amazônia, realizado nesta sexta-feira, 27 de junho, no eAmazônia, localizado na Universidade Federal do Acre (Ufac). Mediados por Eufran Ferreira do Amaral, pesquisador da Embrapa Acre, o painel reuniu lideranças e gestores que acompanham de perto a consolidação do sistema. Segundo Amaral, a discussão foi pautada por três questões cruciais: como o SISA conseguiu integrar as especificidades socioambientais do Acre; quais instrumentos de governança foram adotados; e de que forma a mensuração de indicadores pode garantir o aprimoramento contínuo do modelo. “A ideia é discutir como o sistema, desde sua criação, se sustenta como uma estratégia robusta de desenvolvimento jurisdicional que respeita o território e suas múltiplas realidades”, destacou Eufran Ferreira do Amaral. A iniciativa foi apresentada como uma política pública estruturante capaz de combinar conservação ambiental, geração de renda e articulação entre diferentes setores da sociedade. Alcance Global O SISA tem se consolidado como uma referência internacional ao unir o conhecimento técnico-científico à participação social e comunitária. Durante o painel, Leonardo Carvalho, secretário de Meio Ambiente do Acre, e Marta Azevedo, coordenadora do Programa REM, ressaltaram a importância da remuneração pelos serviços ambientais e da valorização dos modos de vida tradicionais como parte de uma nova economia da floresta. Por sua vez, Jaksilande Araújo, presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMC), defendeu o fortalecimento dos mecanismos de transparência e controle social. Marcelo Shama, da Cooperativa Brasileira de Créditos de Carbono, reforçou que o sistema demonstra ser possível gerar valor a partir da floresta em pé, sem renunciar à justiça climática. Além das discussões institucionais, o terceiro dia do Txai Amazônia também ofereceu oficinas temáticas, apresentações culturais e uma mostra de iniciativas comunitárias. Txai Amazônia Realizado pelo Instituto Sapien – Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) dedicada à pesquisa e gestão para o desenvolvimento regional –, em colaboração com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), o Governo do Estado do Acre, por meio das Secretarias de Estado de Povos Indígenas (SEPI), Planejamento (SEPLAN), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (FAPAC) e mais de 20 instituições acreanas, o Seminário Internacional Txai Amazônia se apresenta como uma plataforma para a formulação de soluções inovadoras, integrando conhecimento técnico-científico, inovação e sabedoria ancestral. Para conferir tudo que rolou no Txai Amazônia, acesse o site: www.txaiamazonia.com.br. Os debates dos painéis temáticos podem ser acompanhados ou reassistidos pelo canal do Instituto Sapien no YouTube.
“Yawa Tari”: Moda Indígena Ganha Passarela e Preserva os Saberes do Povo Yawanawa
Com destaque para as tradições, a Mostra Artística Cultural do Seminário Internacional Txai Amazônia contou com um desfile de moda indígena, da coleção “Yawa Tari”, que aborda o conceito, a criação e os significados das vestimentas Yawanawa. O desfile foi promovido no terceiro dia do evento, nesta sexta-feira, 27, no eAmazônia da Universidade Federal do Acre (Ufac). As irmãs Nedina Yawanawa e Eliane Yawanawá são responsáveis pela criação do “Yawa Tari”, que significa “roupa yawa” na língua do povo Yawanawa. As vestimentas são inspiradas nos “kenes yawa”, que são pinturas tradicionais do povo Yawanawa, anteriormente feitas na pele e agora aplicadas em tecidos de algodão. Os “kenes” representam aspectos tradicionais e espirituais, transmitidos oralmente entre as gerações, e simbolizam figuras da floresta como a cabeça da jiboia (Runua mapu), a jiboia (Runua), a ponta da lança (Paspi), a espinha do peixe tambuatá (Vashu shaka) e a borboleta (Awavena). Nedina Yawanawa, além de artesã, é ativista pelos direitos indígenas e pela valorização do protagonismo feminino e destaca que a ideia surgiu em 2018. “Desde pequena, a gente vive e aprende a fazer os desenhos. É uma forma de perpetuar e dialogar com a sociedade. Nós temos essa riqueza de desenhos, que vem através de histórias. Com as peças, nós trazemos história e tradição, porque tudo, para nós, tem significado. Tudo que a gente desenha são seres da floresta, dessa conexão”, conta. Eliane Yawanawa explica que as peças podem ser confeccionadas e pintadas manualmente. “A peça tem um valor muito forte, que é o espiritual. Nós recebemos esses desenhos através da espiritualidade. Então, nós vestimos tradições e culturas”, conta. De acordo com Eliane, as peças podem ser encomendadas pelo Instagram @elianeluizayawanawa ou pelo @yawa.tari. Além do desfile de moda indígena, o público pôde curtir o sunset com a DJ Cau Bartholo, que toca músicas da Amazônia, e com o cantor Ixã, descoberto pelo DJ Alok.
Painel no Txai Amazônia promove encontro entre ciência e ancestralidade para fortalecer comunidades tradicionais
O debate propôs a integração entre universidades para fortalecer a bioeconomia da floresta O sociólogo e pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (FAPAC), Davilson Cunha, mediou o painel “Ciência, Tecnologia e Ancestralidade: Unindo Forças para a Bioeconomia”, nesta sexta-feira, 27, no terceiro dia do Seminário Internacional Txai Amazônia. O debate reuniu especialistas para repensar os papéis da academia, da indústria e das comunidades tradicionais na construção de uma bioeconomia. “Essa já é uma descoberta ancestral. A ciência pode somar, desenvolvendo tecnologias a partir do que já se sabe na floresta. A inovação nasce quando a gente une os dois saberes”, destacou o mediador. Para Davilson, a ciência precisa atuar de forma complementar aos saberes ancestrais, como no caso da resina do sapo-kampô, reconhecida há anos por indígenas como um potente anestésico natural. O painel também trouxe contribuições do indigenista Terri Aquino, referência na defesa dos direitos indígenas e na valorização da floresta como espaço de vida e sabedoria. A CEO da 100% Amazônia, Fernanda Stefani, apontou que produtos da sociobiodiversidade amazônica só alcançam escala global quando respeitam sua origem e identidade. Já Mário Augusto Cardoso, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), chamou atenção para os desafios da política industrial e a necessidade de apoiar startups e tecnologias desenvolvidas no próprio território amazônico. Um dos pontos centrais do debate foi a crítica à hierarquização dos saberes dentro das universidades. “Quem está nos centros de pesquisa muitas vezes se vê como o único detentor do conhecimento, enquanto o saber tradicional é subestimado. Precisamos romper esse muro”, afirmou Davilson. O painel “Ciência, Tecnologia e Ancestralidade: Unindo Forças para a Bioeconomia” compôs o eixo ‘Ciência, Pesquisa, Inovação e os Saberes Tradicionais Amazônicos” do Txai Amazônia. Txai Amazônia Realizado pelo Instituto Sapien – Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) dedicada à pesquisa e gestão para o desenvolvimento regional –, em colaboração com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), o Governo do Estado do Acre, por meio das Secretarias de Estado de Povos Indígenas (SEPI), Planejamento (SEPLAN), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (FAPAC) e mais de 20 instituições acreanas, o Seminário Internacional Txai Amazônia se apresenta como uma plataforma para a formulação de soluções inovadoras, integrando conhecimento técnico-científico, inovação e sabedoria ancestral. Para conferir tudo que rolou no Txai Amazônia, acesse o site: www.txaiamazonia.com.br. Os debates dos painéis temáticos podem ser acompanhados ou reassistidos pelo canal do Instituto Sapien no YouTube. O indigenista Terri Aquino participou do painel (Foto: Agência NEXO)
Emoção, Tradição e Ancestralidade marcam manhã cultural no terceiro dia de Txai Amazônia
A tradição e a história foram os grandes destaques da programação cultural do Txai Amazônia, na manhã desta sexta-feira, 27. O público foi convidado a assistir ao espetáculo “Tonha”, com Catarina Cândida, e a vivenciar uma experiência com o grupo Saiti Munuti Yawanawa. A atriz Catarina Cândida, que abriu as atividades do palco da Mostra Cultural, aponta que o público se manteve próximo a ela durante a apresentação e ressalta o sentimento de interpretar Tonha. “O Txai está com uma equipe técnica muito profissional e dava para sentir o público muito próximo a mim, o que foi um ponto bastante positivo. Foi a peça que eu terminei mais emocionada. Quando eu estava dando a fala final, eu já estava quase em lágrimas. Tinha um grupo de mulheres de Xapuri, que são muito especiais para mim, que vieram me assistir e foi muito emocionante vê-las, mulheres que viveram no seringal, que são as seringueiras. Ver essas mulheres falando sobre identificação, além de outros jovens que contam que lembram dos seus avós e bisavós, é algo que me encoraja muito para a próxima versão”, disse a atriz. Ray Barros, do Seringal Filipinas, em Xapuri, foi uma das mulheres que auxiliou a artista durante a pesquisa para escrever a peça. “Quando a Catarina foi fazer a pesquisa, eu já era como uma indicadora, porque eu conhecia a história. Eu trouxe duas pessoas que fizeram a pesquisa com ela, que são a dona Dadá e a dona Romeu, e a gente pegou algumas peças e montou o cenário”, explica. A professora Ray, filha de seringueiro, conta, ainda, que a apresentação da peça é muito importante, porque essa cultura está sumindo. “Tem pessoas que já não sabem mais o que é paneiro e não conhecem a cultura da cura da mata. O que eu quero dizer é que, se não tiver cuidado, nós estamos indo embora”, afirma. A professora relembra também o processo da pesquisa: “a nostalgia, a dor e as lembranças são fortes. A gente lembra daquela ilusão porque, na verdade, o pessoal do Nordeste foi enganado e já chegava aqui com uma dívida monstruosa e nenhum deles voltou para sua terra”, diz. Além do espetáculo “Tonha”, o público também participou de uma vivência com o povo Yawanawa, com música e dança. O público, animado, dançou de mãos dadas e acompanhou o grupo durante a apresentação. Na tarde desta sexta-feira, 27, o público é convidado a prestigiar o desfile de moda indígena da coleção “Yawa Tari” e o show de Ixã, cantor descoberto pelo DJ Alok.